
*relato de uma história em uma cidade inabitável,
numa tarde quente e fria...
pude me refrescar com brisas quentes e leves..
Me alojei e pedi um café, velho por favor.
olhares cortaram e cortantes estavam em mim, todo naquele momento.
meu corpo denunciava a carência de afeto pós metropólis.
fique fora, disse a mim mesmo.
o café veio com sua cor não muito saudável...
um olhar antes do primeiro gole escorregar minhas entranhas estranhas.
ouvi de longe, mais ouvi sim, um tilintar de copos estilhaçarem o vidro pesadamente contra o quê?
Solo, chão...
Aonde eu me deitaria com ela... Sobre ou sob, acima sete palmos.
Em meio aos meus delírios translúcidos...
Ouvi um baque forte vindo do wc masculino, em meio a uma poça de vomito e gritos, um senhor velho e esguio sentia seu café sujo e oleoso escorrer por entre a face acalentado no chão xadrez do café "sophie”.
Quando notei a bela dama de sorriso vanilla, se desapareceu em meio ao vão de fumaça humana derretida por bílis, como sempre fico cego com gritos, ouvi apenas o tilintar do sino de entrada da porta do café, em uma esperança vaga apenas olhei pra sua mesa abandonada e pude enxergar uma bolsa de mão e um bilhete sujo untado com óleo vanilla...
Antes de perceber minha queda inevitável ao meu brinquedo negro liquido...
O bilhete dizia: Saia sem erro, o efeito não terminará, abra a porta que abri e atenda o telefone do outro lado da rua, não questione, atenda-o!
Percebi então que não havia como atender prontamente o pedido, mergulhei em mim mesmo, e pude ver que o “efeito” era o mesmo massivamente mencionado, fui acudido pelo ar vazio e gorduroso do solo, aonde acariciei-o com mãos e corpo debruçado prontamente a pedido do ... Qual mesmo o nome do... Termo que causa algo?
Minutos depois estava confortavelmente coberto por olhos, óleo, cafeína e endorfina incertamente adicionada ao meu gorduroso café supostamente amargo, quando uma voz feminina por trás do avental atreveu-se a perguntar algo tão sólido: Como o senhor chegou ao chão tão rápido? (pensei eu em responder – peguei um trem atrasado moça e desde então estou dormindo nessa lanchonete há 3 minutos).
Apenas murmurei: Foi o café moça que me causou tudo isso. E os olhos ainda continuavam me prendendo em sua retina costumeiramente facilitada a ajudar a óptica ilusionária que me causava o momento.
Me restabeleci com o cheiro ainda plausível do local, juntei forças e tudo até então havia desaparecido, o velho, o bilhete, meu pudor e toda minha memória entrou em contradição maciça se era mesmo tudo aquilo apenas uma vertigem de um dia estranho, acostumado sempre a ter dias calmos como o único motivo para sair de casa numa tempestade de areia andrógina.
Agarrei minha dor ao chão, respirei fundo, e então pedi a moça que ajudasse a levantar com um sonoro: Por favor! E depois de uma oferta insistentemente pecadora de um café fresco recusada, me deixaram ir de encontro ao que a partir do "que e nem da onde eu não me lembraria..."
Colocando a mão na face como um gesto de tentando me lembrar me indaguei: E então aonde estava o tal bilhete*(certamente ele nunca chegou a existir) sabor e cheiro baunilha gordurosamente belo, e escrito? ...

Atravessei a rua e um velho telefone público tocava sem parar, fazia quatro longos minutos.
As gotas da chuva me lambiam a face, beijando-a como peso de papel fresco pela manhã.
Não conseguia enxergar nada além de um som internamente (infernalmente) ruidoso que escapava por entre as frestas frágeis frias do meu corpo e do dorso do telefone incessante.
Estou enfeitando (infestando) meus pêlos desde a última quando antes de dormir.
Ao cruzar a rua deserta, vazia tenra, não havia nada para me impedir de chegar ao outro lado, a não ser o vento frio e molhado, caminhar contra o vento e fumar não é comigo mesmo – pensei.
Enfim...atendi o incessante telefone, com os pés cheio de lama do banco sujo, vazio e absurdo da praça próxima a sua casa; então tudo parou, só pude ouvir a voz dizer: É você que arranha minhas pedras expostas ao sol tentando contorná-las com azul anil?
Continua...