domingo, 11 de março de 2012

Empacote

Então... acordei no meio da noite, bêbado e com o gosto amargo de sangue na boca.
Caminhei até a porta do meu quarto, girei a maçaneta, como se girasse uma auréola feminina, abrindo a porta...
Passei pelo corredor escuro, tateando a parede para ver se encontrava a porta do banheiro.

Como tatear um corpo nu feminino, encontrei a porta.
Abri com uma das mãos e a outra, acendi a luz.
Abri o zíper, coloquei-o para fora, como se fosse votar...
Ouço a porta do box se abrir, olho de soslaio e vejo uma lagosta, vermelha, ácida e crua do meu tamanho, em mais ou menos 1,68 metros.
Em sua mandíbula, havia um cigarro aceso precipitadamente.
Quando surge a pergunta em minha mente - Você escorregou para dentro ontem, não foi?
Eu pensei respondendo - Sim!
E o que faz aqui novamente?
Eu pensei respondendo - Antecipo as horas!

Acabei de urinar, fechei o zíper e a lagosta gigante a porta do box.
Apaguei a luz, tateei o corredor frio e áspero.
Encontrei a porta do quarto.
E entrei...
Vi a luz azul do aquário acesa como a luz da morte...
Corri para quebrar o aquário com a minha cabeça, encharcando o piso cego de sangue!
Cambaleei até o travesseiro de pernas femininas.
Enfiei-me em minha vagina  predileta!
E... logo em seguida morri!


quinta-feira, 8 de março de 2012

Então o que você acha deste anel?























Sei que estas palavras deveriam ter virado uma página de um livro...





Mais minha escrita mudou e muito, desde a última vez que tudo virou...





A música não combina com nada em nada do que será dito...









Você vem e se arrasta por minha pele, leva a bagagem de todas as flores que nunca te dei, por enquanto meu dinheiro não pode comprar. Eu faço de tudo um pouco para te ter em mim sobre e após o mundo terminar.





São palavras demais para que minha mente possa guardá-las.Você é tudo o que minha vida deveria me dar no final dela. E é toda linda em meus olhos, poderia estar cego ou cego afiado em seu corpo, mais você veio... e poft! Acertou todo em cheio! Usou de minha pele alojando por debaixo dela. Devolva minhas receitas que perdi ao te ver e te ter. Como uma lâmina de lã afiada, entro em você, alojo e descaso toda a pele doce que me atrai no sabor. Traga suas dores e vamos construir castelos de cartas não marcadas.





Posso dizer que tudo em seus olhos me deixam tonto? Suas mãos suadas me impedem, mentira!Não impede nada de exceder a dança que danço em seu coração mulher!





Como uma mão embalando o plástico, tenho me tornado preciosamente protegido por estar em ti!





Naquela noite, “pude me encantar como um tolo e jamais esquecer seu olhar de solidão”.









Vem, vamos sair daqui e ir em frente dentro de um carro qualquer! - Você não lia meu olhar!









Nunca te contei, mais naquela noite, movi meio mundo para ir ao seu encontro sem nunca ter encontrado você novamente lúcido depois.





Navegar entre suas unhas bem cuidadas e ir além do que podemos nos encontrar depois.





Sinto uma raiva imensa, pois o perfume que sobe pela minha janela não é o seu.









Você atravessou aquele lugar, te toquei, pude ver seu desprezo e sua dor através do vidro, e tentei ir embora, como sempre fazia. Não tive forças, estava embebido em álcool, e depois não consegui movimentar minhas pernas além de 360º em torno dali. Toquei novamente seu corpo, você se afastou e eu fui ver o que me cercava ali além do seu olhar de nunca ter me conhecido ou reconhecido. Não me incomodava o fato de nunca ter estado em sua respiração antes, sei e sempre soube que um dia eu estaria. Sua tristeza me abala de tal forma e o que impede minha queda são suas pernas em torno de toda sua beleza que jamais conseguiria moldá-la. Você fingia que não via, e eu fingia que você não era a única, tentei agarrar, segurar seus dedos e colocá-los em meus lábios como se silenciasse todo o amor que um dia sentiria por você, eu já te amava.









Você se foi, desceu as escadas com seus saltos altos e levou meu paraíso visual para que os outros nunca a admirassem como se eu fosse Deus a admirando.





Tenho certeza que quando o criou, ficou centenas de anos a admirando, e tentando entender como ele defeituoso e de mãos calejadas, feridas pode criar algo tão perfeito acima dele, e deixou cair aqui na terra, para que somente meus olhos cegos e tristes de sangue tivesse a ousadia de tocá-la por debaixo da pele.





Sabia que estaria bêbado demais e preocupado em me perder dentro de corpos e imitações baratas do seu amor para tentar esquecê-la e desvencilhar da fraqueza de te querer para sempre.





A escuridão do lugar se foi dentro de você, quando você atravessou aquela porta e nunca, mais, nunca me quis ver vivo novamente. Porque nunca respondeu meus bilhetes que os ventos iam te dizer nos sonhos que sempre amei você!





Faça brilhar seus olhos como sempre brilhou quando disse que você era a única aqui dentro!









Me perguntaram se nunca escrevi sobre você em folhas de papel, eu escrevi sim!





Sobre você, escrevi cartas e cartas de amor navais nas folhas das arvores que caiam em sua frente quando você caminhava caoticamente furtando o perfume dos meus pulmões.









Suas curvas adormecem meus braços, então sugo sua pele para dentro dos meus dentes, adormeço a ausência de sangue, ouço seu gemido saciado por mais, preencho o vazio que resta dentro de ti... Acaricio seus seios fazendo deles minha língua, sinto sua carne entrar em meus dedos, molho minhas mãos em seu calor, e penetro com força o que será sempre meu!



Sinto-a tentar fugir e então dilacero todo teu corpo fazendo arquear todo seu gozo quando estou dentro de você!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Das que esvai, se descaem a carne da cor e da dor

























“Gosto da maneira como posso penetrar seus poros causando dor e infortúnio.” – Foi a frase encontrada em um bilhete, escrita a mão naquele assento do ônibus. Ouço seus gemidos a cada vez que saio de você, porque habitas a escuridão de gritos e sussurros mudos. Até aonde sabemos, sua carne escorre por entre meus tímpanos, e não me sinto habitado de te-la em mim, tão macia como manteiga. Trago ervas com suas cartas velhas.E sugo seus mamilos salgados de cor e amêndoas.Haveremos de ter talvez, dores, cores e sabores feitos dentro de você que não poderei tocá-los.Então, sente e cavalgue em meu órgão carnavalesco de outono sonoro. Estas cartas enviadas por mim a mim mesmo, já não fazem a cobrança persuadir em dor. Venha, vamos nos ingerir em vermelho furta cor, até que o dia não amanheça entre nossos dedos.

Há de ser, talvez a madeira que escoa entre seus gélidos e cálidos dentes! Você sabe ler cálidos? Eu não, mais…Estar aqui talvez, é estar do outro lado do espelho, morto. Soa clichê quando a sinto mastigar-me a carne que falta em mim, debitada e debilitada em contas. Estamos vendendo suas velhas botas, para que não mais caminhe entre meu caminho ou por ele!Para que serviria as janelas, dentro das janelas cegas dos seus olhos, se não há mais você dentro delas? Para sentir seus lábios molhar selos de cartas que nunca chegarão após minha ausência de mim. Devolva os pássaros que enviei mortos para que consumisse todo o ar que ausentaram suas asas, e assim, será apenas um anjo de louça mal pintado emoldurado, e vivendo dentro de geladeiras velhas.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

é... desista!













Espero que você não leia isto quando estiver bêbada assim como eu estou bêbado agora...

Estou farto de ter obrigações com você, tais como: limpar sua pele, lacear seus sapatos na sua face, estapear seus dentes contra os meus... estou farto, é verdade!

Farto de mim, que não tenho compromissos de mentir quando estou mentindo, e de dizer a verdade quando você compra ossos.

Já te traí tantas vezes que o sol não brilharia na sua janela por anos.
Porque você permite tal coisa?
Você merece bem mais que o seu dinheiro pode comprar, bem mais...
Não tente me entender, é clichê, eu sei, mais não tente...
Enquanto, procuro corpos pra transar, você encontra maneiras de tentar me convencer que sou o suficiente para que seus avôs podem aceitar.

Me dê as mãos, vamos dilacerar nosso copos em corpos de plástico de manequins!
Me dê as mãos, vamos assaltar carros nos ferros velhos da vida!
Me dê as mãos e não vamos transar esta noite!

Então, a ouço fazer mímica com os olhos dizendo: - Que jamais pensei que pudesse ter tal coisa, com tão pouco tempo de câncer. Porque me acaricia tanto, como se eu fosse feita de vidro? Está me polindo meu bem? -

Respondo: - Atrasei para o seu encontro, aquele funeral absurdo que fizeram na 5º avenida, sabe? Então, meus pés pararam de funcionar em plenos pulmões da chuva, não tinha como mandar secar flores no microondas para você, foi indo, desisti... Sabe? Desisti! Simples como telegramas póstumos para coveiros velhos! Morreu como deveria morrer! (fecha aspas).

Aquela química, que nós tínhamos, eu a cheirei no bolso da sua calça velha, aquela mesma que tirei quando transamos pela primeira vez em cima das cartas velhas de um presidiário, morto por cortar sua própria língua.

Seja bem vinda a chuva do deserto!

quarta-feira, 2 de março de 2011


















Então... Depois de dirigir e digerir fui a um grande mercado, na minha cidade mesmo, próxima ao setor que moro. Aquele lugar cheio de mercadorias tão nulas e proventos de imundice alheia do consumo próprio ou sexual!
Cansei!
Esperei horas para encontrar uma linha reta que me levava a aquele lugar central com disfunções eretas...
Achei uma vaga do lado de um pedinte, esses seres brotam do chão?
Não é o meu papel nutrir seu vício por trocados velhos ou moedas que não cobrem nem o valor do metal se ofertadas.
Chega dessa linguagem chula de porta de bares fracassados...
Vamos o que interessa...
Cala a boca, sua vadia! - eu disse em minha mente quando vi aquela obesa de 150 kg de pura massa preenchida por uma mesmice comum das pessoas que não transam...
Ela não parava de falar no telefone quando passei em uma prateleira que vendia artigos para recém nascidos...
Sim, admito eu gosto de ouvir conversas alheias, é um exercício mental para se pensar que sua vida não é pior como pensa ser, admitindo que é um fracassado total!
Ela se virou em minha direção e me fitou como se eu fosse roubar um pedaço de carne dos seus seios famigerados por sucção analítica do seu marido brocha...

Não, filha, não quero isso... - pensei em resposta!

Decidi sair logo daquele lugar - mais que merda eu fui fazer caminhando por ali?
Nada! Diversão... Diversão ...
Divertir olhando prateleiras sem vontade de consumir nada?
É, aquela velha história de arranjar algo para se entreter quando até as tentativas de suicídio deram erradas...

É eu sei que você deve estar pensando que sou um idiota, sim, eu devo ser!
Feliz agora?
Agora volte a brincar com seu órgão sexual mal lavado!

Observar as pessoas é uma forma malévola de querer enxergá-las.


E após de colocar no carrinho nada mais que álcool etílico, tabaco tragável, revistas velhas sobre arte, velas, incensos...

Reparei como há senhoras distintas e algumas pessoas aproveitando as promoções da carne.
Reparei também que havia uma senhora carregando plantas, muitas plantas em seu carrinho, parece que ela ia enfeitar um túmulo... Um túmulo que se compara a uma geladeira, vazia do nada, cheia de fome, amplificada para contextualizar seu sexo fracassado perdido e inalado...

Foi aí que ouvi alguns gritos... Vindo de que raios de sessão deveria ser alguma sessão alimentícia, essas pessoas só vivem para comer, dormir, transarem, comer, dormir, cheirar, injetar, dormir, comer, acordar, dormir, comer, dormir, acordar, comer, acordar...

Algumas pessoas, gritaram: "socorro, assassino, ladrão...” outras correram, e eu?
Eu, bem... É... Fiquei ali parado, porra, eu não matei ninguém, será que posso ao menos ver algum sangue?

Fui correndo de encontro a multidão que corria arrastando-se...
e vi um corpo...
Um corpo lúcido, luz e cheio de morte...
Que vida do caralho..
Ela se foi...
Era uma mulher jovem...
Agora ficou velha, envelheceu ao beber da morte...
Aquele líquido que todos iremos tragar um dia... Em goles grandes ou pequenos, bebericando entre os dedos, escorrendo entre suas bactérias auto-imunes...

Eu deitei ao lado do corpo, como um cão que beija com a língua sua dona morta...
E então eu esfreguei minha língua no chão suado... Lambendo seu sangue...


domingo, 30 de janeiro de 2011

Acorde afogado!


E ... se, todas as pessoas que você vê ao seu redor estivessem mortas?Quando caminha nas ruas, aquelas pessoas que esbarram em você estão todas, mortas, putrefatas além leito terreno! Sabe aquela pessoa que você beijou ontem?Está morta! Toda a saliva trocada com tal pessoa é apenas um muco sem vida, sem cor, viscoso e ácido! Todos os seus poros estão vazios, frios e inertes! Sim, acredite é verdade! Aquela vagina que você penetrou ou que você deixou penetrar, está seca, dolorida, vazia, sem lubrificação e sem vida! Sim, se teve orgasmos, espasmos... saiba que foi em vão, seu corpo não sentes nada, suas entranhas estão sendo ingeridas por vermes, neste exato momento!

Tais vermes que habitaram sua boca durante anos, bactérias que foram adquiridas por ações sexuais ou não, habitam agora todos os seus órgãos internos, e acabaram se tornando seus vermes bastardos!

Não quero imaginar a sua dor psíquica em saber que o que lê agora, é apenas uma velha lembrança vaga, idiota de sua vida! Vida tão cheia de aderente tédio entre o espaço que existia nos seus dentes! Que fome sente? Fome do que exatamente? Chega em um bar pede uma bebida, e deixe-a escorregar por sua garganta, e eu zombo de seu corpo estar morto! Sim, há ainda esta lembrança do gosto amargo e liquido que sua língua mediu como os sete palmos que estão te impedindo de se libertar!

Vá caminhe, corra e respire, por que isso, é apenas uma ação de sua mente, agora morta!

Aquelas pessoas que te olham pelas janelas, estão vivas, e você morto para elas, se entretêm em saber se está nu, se está trepando, o que você come/ingeri, mesmo sabendo que você relativamente não existe para elas! Então posso sugerir que estão mortos dentro de você! Seus olhos já com as retinas cegas, mal espelhadas e descontextualizadas, fora de foco, não enxergam nitidamente, e sim apenas vultos a sua volta! Vultos estes que são fantasmas, e você é um deles!

E se soubesse realmente que você está morto? O que faria? Nada, porque você vivido não fez muita coisa a vida toda, e agora morto, sendo um espectro, só consegue atravessar paredes, assombrar sua velha casa, e ir visitar seus entes queridos que estejam vivos pós-morte, podres abaixo da terra, lacrados por uma caixa de madeira! Aquelas pessoas que você vê nas fotos, são apenas péssimas lembranças, estão mortos! Você lê velhas noticias, porque são as mesmas de um jornal velho e do mesmo dia de 18 de setembro de 1921.

Seus gestos se repetem circularmente todos os dias, você apenas se recorda do que não consegue esquecer, lembranças amargas, doloridas e remoídas, que você nunca perdoará, nem a si mesmo, por que perdoar, corpo sem vida, você não consegue mesmo!

Vá, acenda o cigarro e apague-o dentro do nariz, depois mastigue vidro sem os dentes caídos e então até quando resistirá ao pulso latente do vicio de nunca sentir dor física?

Em três segundos tais palavras lidas, nunca foram lidas, nem escritas!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Cegas cerdas


Ei, você ouviu aquilo?
Aperto minhas veias no pulso e as sinto doer!
Você é a derrota que eu sempre procurei!
Estou comprando serras elétricas para fatiar suas cartas!
Começo a desenhar suas linhas recheadas de molho "verde muco de fumantes"!
Estou sempre certo de que o quão pode ser certo é a queda!
Estamos retornando a ponta das agulhas perecíveis e degradantes!
Consegui finalmente me despir do estresse que me traz ao trabalhar de animador de festas da terceira idade, fantasiado de coelho!
Com você posso ter sempre ao meu redor orgasmos vomitivos, daqueles que secam as areias lá fora!

Ela envia cartas a ela mesmo!Ela sai de casa as 2 horas da madrugada para comprar drogas!Ela retorna!Ela se despi!Ela se retira!Ela passa as mãos nos seios como se quizesse suga-los, ao redor ou entorno!Ela se masturba com pentes!Ela não tem orgasmos!Ela dói!Então ela se banha com iodo avermelhado!Ela sai para comprar pães!Ela retorna!Ela se penteia até seus pêlos caírem!Ela se cospe!Ela se envolve em plástico-bolha até sufocar sua vagina!Ela se masturba ouvindo uivos mudos de cães dentro dela mesmo!Ela escreve na janela o quão gosta dos dedos!Ela os corta!Ela os poda!Ela se costura!Ela se arranha até não mais repetir as palavras!Ela fala em braile através de sua pele!
Ela busca as saídas que as janelas não tem!Ela come pratos e ora por pratas!Porque nunca caminha em pedras de vidro laterais?

"Meu Deus a conceda a dor!A perdoe!A inale para dentro de ti, ó senhor!"


Estou sedado e emanando luz magenta para fora de mim!Não suporto mais só ver vidro, concreto,vidro,cortinas,vidro... Há um jogo em mim e eu quero ganhar!
Eu posso confiar quando você vem nua e me toma para você?
Vai, me sugue para dentro de você como uma lula marinha de aquários cheios de pus verde do lodo!

"...me lembro nitidamente daquele sonho aonde meu esconderijo era debaixo de uma mesa, aonde podia ouvir bombas ecoarem ao longe, aonde escondia meus medos entre minhas orelhas e segurava minha cabeça como se ela mesmo fosse explodir, e isso tudo era verdade dentro do vidro, era tudo o que eu podia ver cegamente em meus olhos, era tudo o que esta guerra macabra humana concede aos inocentes que morrem em vão e idolatram o nada como deus..."

E se estivesse escrito aqui o que você nunca pensou ou nunca teve coragem de escrever?
E se estivesse escrito aqui o que você nunca leu?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010










































"Morda os dentes debaixo, adormeça letalmente em degelo!

Mergulhe em avenidas cheias de entregadores de pizza!

Compre uma camiseta de sorvete de algodão!"

Era o que havia escrito em um homem placa que morava na minha rua.Pelo o que eu me lembre, a última vez que conversei com ele já era bem cedo.
E então, eu acordei mais uma vez fora, fora de quem eu amo, fora do contexto, fora do sistema bancário.
Abri as janelas de uma casa sem janelas, e vi o sol se escurecer assim como o sangue de quem morreu agora.
Sabe aquele breve e mágico segundo em que o sangue(gelo,pêlo) congela dentro do refrigerador?Eu gosto de assistir esta cena em câmera lenta.

Estava frio aqui dentro, e então eu deixei as gotas lamberem o vidro da minha janela mais uma vez, apenas.
Corri a mão, como se escolhesse um carro novo, pela minha cama, acendi um cigarro e voltei a dormir.

Acordei!
Tão cheio de raiva contra o piso, que adormeci todo o meu corpo do frio, que você havia anunciado (na tevê?).
Quantas notícias belas quando se lê o mesmo jornal inúmeras vezes.
Eu estava tão lúcido que me lembro da minha vizinha levar o cão dela para defecar sexualmente umas duas vezes, a primeira vez: 10:47 e a outra 15:32.

Me lavei: "Não moça, desculpe, eu não uso relógios."
Porque esses cães tem uma vida melhor do que a minha?
Ao menos eles... não é?Perguntei a aquele jazigo carente.

Eu senti meu cheiro penetrar aquele cobertor como se penetrasse a carne fornicando com uma faca fria e dócil da minha língua.
Irei na igreja ver se "eles" me ajudam a solucionar este passatempo que tenho resolvido todos os dias.
Não, acho que assaltarei a caixinha para comprar uma tevê, cigarros ou uma revista pornô
de sexo selvagem de zebras com listras horizontais guatemaltecas.
É eu tenho problemas com listras verticais e daí?

São exatamente quatro e vinte.
Sabe-se lá do que está falando.
Alguém está falando, será quem é?
Pela lógica, alguém em um raio de 600 m² está falando algo...

Eles não calam, eu não calo e você lendo palavras, porque seu sangue flui?
Adormeci, acordei e adormeci sobre o efeito de cordas batendo.

Ela gritava: "Traga-o aqui e deixe soluçar"!
Eu não lembro de mais nada além de minha caixa de sapatos, aquela mesmo embaixo da sua cama, bonita e quente, enquanto a minha, não é?
Choro todas as noites antes de dormir, porque sei que não tranquei o diário.

Quando percebi, o cachorro da vizinha me lambia meu cigarro, enquanto ele cheira urina em postes eu cheiro meus dedos.
Percebi que o líquido escorregadio, amargo e negro se esvai do mesmo sabor que entrou.
Não há nada do que temer se está em negro.Espero as sombras dormirem e espreito elas vigiando o sono de luz de ambas.
Espero as sombras acordarem e junto suas lâminas como se fossem pétalas.
Eu apenas olho, enxergo e não consigo ver a fumaça seduzir as janelas como se fossem amantes de si mesmas.
Eu espero os sinais irem, voltarem e oscilarem, sem respostas desta vez.
Eu vago entre quartos e brinco com os fantasmas de pele polida e atroz como um vento sadio e ensandecido.

Ando cortando/fatiando as minhas cordas como se fossem correntes, aprendi com os ratos.
Deixo o aquecedor ligado só para poder sentir frio.

Ando cozinhando pedras para o almoço, afinal é a única refeição do dia, com a qual tenho de conviver e enfrentar a mim mesmo.
Será sempre "eu versus eu"!

Ela não leva o lixo para fora.
Não importa se tenho botões para coser ou não.
Não se importe com o que tenho a escrever, desde de que seja arremessado ao mar em uma ótima oportunidade possível. Ou, em uma tempestade de areia.
Uma carta de baralho chega sem remetente pelo telégrafo dizendo: "...não se importe, porque você não é importante..."
E assim, mais uma vez eu desligo o rádio em busca de um "alô", no fim do mundo, residindo em um oceano único pós fim do mundo.

Porque Deus, me deixou sobreviver?
Porque não carrega minha carne podre para dentro daquela porta colada na parede?
Se sou apenas 72 quilos de carne, porque não deixa meu espírito cair do vale das sombras?

Após a morte serei apenas, um vulto, não quero morar em espelhos, nem me enforcar mil vezes debaixo de pontes ou habitar um guarda roupas vazio...

O despertador abre sua voz, me acordando em um acordo de descanso e descaso material.
Durmo por cima de um papelão sujo de óleo já cozido...


Na maioria das vezes me transformo em uma chave cega, cerrada/limada para não abrir.Moldada para não abrir e nem fechar ...


Sabe aquela vez que fui comprar giletes mastigáveis para saciar sua sede?

Ela passou e sorriu pela primeira vez e única, deveria ter ido atrás e ter a avisado que ela deixou cair a minha insignificância insignificante a tornou algo que eu quis dentro de mim!

Há dias, melhores noites, que volto a dormir em minhas roupas velhas, sujas e envidraçadas!Como espelhos dentro de um vidro cheio de vidro, como penas dentro de um travesseiro! Eu alimento meu próprio abutre dentro do meu peito, gostaria que pintasse minhas penas de negro, poderia?

Sabe aquelas horas que você se sente enganado pelo tempo? Roubado pelos minutos?Assassinado pelos segundos? E desaparecido de si mesmo há dias?

Eu versus eu ." It's you versus you versus you!" ( versus de: Mother's day's - Nada surf ). Na maioria das vezes acredito que eu seja meu pior inimigo! Tudo irá melhorar, irá sim...

Caminhei nos mesmos lugares, percorri as mesmas ruas, andei pelos mesmos meio fios com o mesmo sapato, mais eu mesmo, não era eu não!

Não sou mais eu, há muito tempo! Sem mentiras, sem respirar, sem se levantar, sem se permitir, sem ansiedades! Sem ir! Sem mesmo ir...

Um sol cor urina, uma bolsa gelatina, um flanco usado e alguns trocos furados.


Três manchas de óleo no asfalto: Suas lágrimas soam escorregadias por demais tão mentirosas. Tão densas de si como um concreto cru mal lapidado após a era.

Acorrentada nos riscos dos dentes banhados em salivas matinais esquecidas. Colas cocaínicas da aquarela cafeína me devolvam minha dor, por favor.

Vergonha nas roupas espalhadas, manchadas de pus enlameados de vidro.

Porque torna a mentir quando amanhece todos os dias na escuridão?

Porque a timbragem adúltera de suas unhas rasgadas cheiram a carvão? Pelas penas negras que colo em teu dorso admirando- pela beleza de saber mentir.

e então uma pedra escrita dizia: "continue...

Observação: a continuação do texto estará sempre grifada na cor amarelo, ok?Então será a nova postagem, como um diário! Entenderam? Dúvidas sobre as peças do motor liguem: stonepain@gmail.com

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Receita matemática de vício imediato: talvez 45 graus inclinados ou 35 graus inclinados acima...

Você vem e desliza pela minha pele, sorri com um sorriso daqueles que adormece minha face!

Suas rubras linhas desenhadas, precisas e parecem ser pintadas por mim diante do sol!


Venha, adoce minhas veias assim como faz quando permite que eu navegue em tua pele!


Você preenche todo vidro sanguíneo e pulsante que habita meu peito e o engrena com tinta de sabor pistache!


Teus lábios inalam minha boca e faz descer a escada que sustenta meu desarme!


Teu suave coração me silencia, emudece meu corpo, ensurdece meus olhos e altera em um fator acima minha alma!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eu deveria ter desligado o telefone!


































Sabe aquela vez que eu te machuquei fundo, e você sangrou por dias no sol?


Eu lavei as janelas aonde você pisava!
Porque é tão dura comigo se eu realmente lhe assassinei?

Sabe aquela vez que eu te machuquei exatamente aí?
Eu perdi a cabeça, e disse uma palavra apenas que te fez adoecer sob o leito do meu peito em
cacos tristes de um até então inquebrável oscilante ...beijo sabor lábios tão envolventes que só eu sei o segredo de adormece-los em segundos...

Sabe aquela vez que larguei casa, trabalho, cigarro, festa de fim de ano, vida, mãe, fantasmas, chaves, álcool, acentos,
tinta, amor, dinheiro, rock, cadeiras, presentes, lucidez e me joguei na frente de um carro?

Eu larguei minha vida!
Eu me deitaria com você sobre os talheres brancos de prata polida e sem o cheiro de sangue!

Eu te daria a minha vida e as outras dez se eu tivesse!
Mais eu perdi os caminhos no vento que cheiravam você!

Se lembra daquela vez que te ceguei?
Eu te ceguei sobre mim mesmo, eu arranquei aquele olhar perdido dos seus olhos.

Eu não durmo quando você sai, eu não durmo quando você me trai, eu não durmo quando a vejo habitar meu espelho,
eu não durmo quando sinto seu sangue nas minhas mãos, eu não durmo quando leio os bilhetes que eu queimei sob minha pele,
eu não durmo quando exatamente sei que naquele dia... te feri profundamente.

domingo, 30 de maio de 2010

Cartilagem















Ela passa os dedos como se alinhasse as unhas na poeira dos móveis.
Confusões do passado, não serão, talvez, as mesmas coisas.
Estou aqui, audível ao nada e infundado no silêncio matinal.

Me cansa a proposta de sempre estar no novo amanhecer pós fim do mundo.
É tão novo e velho descobrir que o que é feito de sabão apodrece.

Ela diz: "...gosto de você, mais detesto como você é..."
Eu nunca faço a questão de ir mais além.

Ela caminha sorridente, entregue ao que pode acontecer se os ventos mudarem.
Ei, eu digo: eu tenho uma técnica de morrer dentro de uma caixa de sapatos.
Seguro tuas mãos com força até ouvir os ossos se quebrarem entre os dedos.

Eu finjo estar feliz só para passar pelo raio-x dos seus mamilos.

Sabe aquela maneira, que você diz à si mesmo como entrar e sair de janelas no 18º andar?
Eu não suporto tudo isso depois.

... você explora a maneira como as pessoas habitam corpos, você suporta a maneira como tais pessoas habitam teus lábios,
não há nada que a contagie e a contente, por mais que eu facilite a entrada você dorme na saída, eu gostaria...gostaria...
de gastar meus últimos três segundos te dizendo que jamais eu deixei de pertencer à você...

Eu quase a segurei desta vez, eu quase fugi e fingir estar jogado sob as escadas enlameadas para o lugar.
Você vêm e bate na minha porta, grita meu nome, cospe sobre meu gelo, adormece em minhas roupas usadas e quer meu ventre?

sábado, 29 de maio de 2010

O pior da vida é esperar notícias lidas, ultrapassadas se tornarem manchetes de um jornal cotidiano íntimo!


Tudo está girando agora.
Espero que não dependa de...
Tudo se perde quando você gira aquele botão.

Estamos tão dentro que fomos aceitos lá fora.

Compro tudo aquilo que lhe vê, para não existir mais.

Não minta!
Não esconda!
Não sussurre!
Sobre os lençóis aquilo que jamais sabe sobre você.

Soa tão alto que não posso dormir.
Você se inalava tão cheia daquilo que jamais vai conseguir comprar.
Amor de vidro.

domingo, 21 de março de 2010

Eu nunca vim!















A espera do que talvez nunca virá!

Fatio a carne, com uma tendência subjetiva e egoísta.
A cada erro, erro menos dentro do vidro.
Apenas pretendia ser dentro de você, habitar tua residência corporal como um vírus.

E você somente queria me matar dentro e fora de você.
Eu perco meus dedos só de tentar.

Caminhando e segurando a mão, como uma quilha de barco à deriva no mar envolto de ácido extremo.
Caminhando e segurando a linha, como uma pilha de livros velhos à deriva no mar envolto de ácido estomacal.

Me deixe ir aonde jamais pisei descalço.
Navalho minha face, como se as linhas faciais fossem a própria lâmina desafinada.

Então, novamente estou sentando em uma poltrona tão macia quanto seu sexo, receptiva como uma tomada...
Estou fadado a ser o livre dentro dos campos concentrados de armas viciantes.

Não há forças, para levantar de dentro de mim mesmo, sendo que o corpo é apenas um corpo.

O poço é o passo no nada ao vento das turbinas.
O canto, é lacrimal quando se há injúrias de proclamar o que nada acontece.

O ostracismo é meu nome conhecido e perpetuado ao longo da estrada.
O escuro das sombras permanece aos cuidados da luz que teima em me queimar.

Você corta, fatia e esgrima, enquanto eu pretendo apenas adormecer o pesado e denso sono do sorriso amarelado.

E você do outro lado deste vidro pode me esperar?!






"porque procuro no poema final e definitivo a face de Deus,
todos os versos que escrevi me hão-de condenar ao inferno." pp.59

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Posso pintar cristo, mais jamais colecionarei chagas por tudo.





















Não me culpe pela sua vida sem sentido.

Não serei eu a lhe conceder a direção.

Seus erros somados a sua idiotice e imaturidade são mais extensos que sua ficha hipócrita sexual.

Não me culpe por ser triste.

Sua tristeza nunca passará, porque você nunca encontrará você mesmo dentro de si!

Está tão perdida, que não sabe quando termina sua alegria e quando começa sua tristeza eterna.



Você é o problema!

Você é o câncer que assola a pele!

Você é apenas a tentativa em vão do que nunca conseguirá ser!

Será que conseguirá ser feliz depois de morta?



A sua felicidade depende de roupas da ultima estação!

Não lhe culpo por isso, apenas tentei durante um longo tempo, ser a luz incessante a lhe guiar pelo universo escuro que há lá fora!

Não me culpe por ser da forma como teus pés nunca caminhariam nos pregos de feltro.



Durante muito tempo eu fui melhor do que muita gente flutuando conseguiria ser.

Á ti, desejo brevemente que mergulhe dentro de você, ou vai se perder no caminho de uma tristeza melancólica por nunca você se aceitar como você é, e não como gostaria que fosse, porque no fundo o que teu espelho demonstra é que vive um luto eterno dentro de si: o luto de sua própria morte interna!



Apenas quero distância do que me tornava quando estava com você!

Sei que vai ler isto, e faço questão que caminhe lá fora!



No mais, estou remando ao contrário e contando os buracos do teto de vidro.