segunda-feira, 11 de julho de 2011

é... desista!













Espero que você não leia isto quando estiver bêbada assim como eu estou bêbado agora...

Estou farto de ter obrigações com você, tais como: limpar sua pele, lacear seus sapatos na sua face, estapear seus dentes contra os meus... estou farto, é verdade!

Farto de mim, que não tenho compromissos de mentir quando estou mentindo, e de dizer a verdade quando você compra ossos.

Já te traí tantas vezes que o sol não brilharia na sua janela por anos.
Porque você permite tal coisa?
Você merece bem mais que o seu dinheiro pode comprar, bem mais...
Não tente me entender, é clichê, eu sei, mais não tente...
Enquanto, procuro corpos pra transar, você encontra maneiras de tentar me convencer que sou o suficiente para que seus avôs podem aceitar.

Me dê as mãos, vamos dilacerar nosso copos em corpos de plástico de manequins!
Me dê as mãos, vamos assaltar carros nos ferros velhos da vida!
Me dê as mãos e não vamos transar esta noite!

Então, a ouço fazer mímica com os olhos dizendo: - Que jamais pensei que pudesse ter tal coisa, com tão pouco tempo de câncer. Porque me acaricia tanto, como se eu fosse feita de vidro? Está me polindo meu bem? -

Respondo: - Atrasei para o seu encontro, aquele funeral absurdo que fizeram na 5º avenida, sabe? Então, meus pés pararam de funcionar em plenos pulmões da chuva, não tinha como mandar secar flores no microondas para você, foi indo, desisti... Sabe? Desisti! Simples como telegramas póstumos para coveiros velhos! Morreu como deveria morrer! (fecha aspas).

Aquela química, que nós tínhamos, eu a cheirei no bolso da sua calça velha, aquela mesma que tirei quando transamos pela primeira vez em cima das cartas velhas de um presidiário, morto por cortar sua própria língua.

Seja bem vinda a chuva do deserto!

2 comentários:

flor disse...

É, realmente, eu não tinha visto o seu último post hehehe :D

Um beijo estalado na testa.

A Noiva Cadáver disse...

Forte, bonito, intenso e triste.