
*Conto com nomes, datas e locais mudados para proteger os personagens.
Em um bar em Varsóvia se encontrava o tão lúcido e honrado nadador, Inaach Kazhimir, 28 anos, sem filhos, lúcido talvez, e totalmente estressado com dias casualmente rotineiros, e os mesmos dias de 24 horas, foram para ele com um certo glamour de uma estrela marinha suave e estreita, depois de um dia estressante* de treinos e mais treinos ele se desfez em um bar aonde nenhuma mosca zombaria incomodá-lo por nadar pelo seu país ou por sua nação merecida mente honrada por cada suor gélido estampado e derramado de sua face longa e tenra.
fazia o tipo alto, ( como sempre nadadores são altos não? ),branco, cabelos ruivos e olhos sagazes por calmaria que nenhuma gota de água oferecia, se esgueirando entre um copo de vodka com rum e outros, ingeridos com sede e afagos dos longos dedos, ele ouviu um certo tilintar de dentes e línguas pronunciantes vindo de um canto do bar, instintivamente ele sabia que blasfemaram contra sua figura social, mais e daí?
Se importar com machistas, hipócritas e sexistas?
Não resmungavam contra a TV ligada num canal de esportes local...
Quem dera que seus pensamentos fossem ordens de despejos mal avaliadas por céticos...
Ouviu alguém chamar o único garçom e cochichar no seu ouvido algo que não interessava a ele...
O garçom voltou e encheram um copo com rum, gelo e vodka russa.
O nadador semi largo perguntou: isso é para mim senhor?
Sim, é para você meu jovem, aqueles dois senhores do canto do bar lhe ofereceram esta bebida como forma de retribuição a seus esforços patrióticos pelo nosso país...
Antes mesmo de terminar a frase o nadador desperdiçou o liquido em uma lixeira negra de metal...
Como sexistas e de pênis cranianos se ofenderam é claro.
E enginharam suas testas como camurça mal lavada pela manha.
Sem questionamentos maiores, ofenderam Inaach com insultos e referindo ao seu ponto fraco sentimental: eu e ele dormimos com sua ex-mulher na última olimpíada fracassada nadadorzinho de merda.
Imagina? Com o 9º copo de vodka em suas entranhas e poros, olhos e coração latejando na mesma intensidade de um bebe prematuro, o mesmo se ergueu como um mastro e empunhou suas mãos dizendo: repita seu porco machista?!
Não podia sentir seu sangue adormecer seu ímpeto e ao mergulhar seus punhos na face do desbotado homem, se viu em uma linha embaraçosa de violência e barulho intumescido pela corrente de troca de calor humano alcoolizado...
Não notou bem uma lâmina penetrar seu abdômen e suavizar a ação de seu arfar em meio a um arame farpado de pensamentos...
Seu sangue podia ser visto à quilômetros de seus dedos, jorravam natureza morta e lhe faltou ar como se fumasse há anos...
tudo se escureceu, apenas ouviu gritos do garçom pedindo encarecida mente para que ele falasse com ele: falar o que se já não vem a cabeça nem luz e sombra distinguindo seu paladar...
em apenas 15 minutos, longos por sinal, conseguiu ouvir o burburinho ao longe da ambulância sagrada com sua cruz vermelha alertando que ali havia confusão...
e que o circo de fotógrafos locais estavam por vir... Com a cavalaria de flashs e perguntas de como foi, e quem pisou mesmo na lua?
Em menores detalhes, sentiu seu ar voltar ao normal depois de 27 horas, inalou flores no quarto branco, e um silêncio ensurdecedor de bips elétricos...
Bingo estava em um hospital!
Apalpou o céu da boca, ainda sentia o gosto indiscutível de sangue molhado em sua boca.
Murmurou algo além da dor enorme que lhe afagava seu corpo esguio e levemente longo demais.
Chamou a enfermeira pelo dispositivo eletrônico que se encontrava próximo a sua mão...
Pela lógica viria uma gorda de
Aonde me encontro?
No hospital local, próximo a saída da cidade!
Só me lembro de muito sangue esvairar-se de minhas entranhas ácidas.
Isso mesmo, senhor! - (sem muita paciência com drama de pacientes dramáticos) ela respondeu.
E então a enfermeira se retirou, deixando-o o paciente em meio aos seus emaranhados de pensamentos, talvez devido a quantidade de barbitúricos ingerido em uma dose apenas.
Voltou a dormir um longo dia, e a mergulhar nos seus delírios afetados pelo o que considerava drogas pesadas de cura infecciosa...
Algumas horas depois...
Acordou com um leve roçar de mão em sua face...Piscou várias vezes sendo que seus olhos não crendo no que via...
E adivinhe quem veio lhe visitar?
Assim que pode rever a maça do rosto levemente disforme ele devolveu seus pensamento de roupa suja pós over. Conteve-se entre o ódio intravenoso e o ódio matinal numa cama de hospital irreconhecível, porque aquela pessoa estava ali? Porque logo ali? Porque não se movia? Porque esgueirava o olhar como se fosse uma presa fácil e matinal? Porque tantos porquês?
Emanharou e amassou o lençol do hospital como um pão velho amassável pelo diabo de costas limpas, não houve respostas em seus íntimos questionamentos e de seus questionamentos íntimos intimamente ligados por entre todos eles. Seu nome se perdeu entre sua cama giratória trancafiada, sem mais conseguir sentir sua ferida, ele implorou a ele mesmo ou a você para que o segurasse em seu leito... Imediatamente a pessoa disse: “Olá”, essa mesma palavra que ecoou como um eco surdo, mudo, silencioso e voraz, o mesmo eco engoliu sua saliva seca e machucou a boca ao sair sem som: mmmff: você aqui, mais por quê?
O “olá” dito foi direto ao seu encontro sem o barulho da chuva intermitente após o vidro da janela lá fora, a janela que mesma testemunhou a maça sorrir contidamente ao ver o efeito da resposta muda do nadador iludido por ele mesmo.
“Como vai” surgiu como se fosse um convite ao passeio lá fora...
Mais por quê?
Houve um caminhar de passos lentos, como se espreitasse a presa, averiguou o caminho aonde ele podia olhar e desnudar o que seria seu fatal ódio, tocou a cama do leito com a mão, acariciou-a, instigou que seu carinho fosse direcionado ao um outro membro de seu corpo, como se a cama fosse a continuação de seu...A intenção era de tocar com a ponta dos dedos semi seca o mesmo local aonde Kazhimir emanharou o tecido com precisão cirúrgica a de um orgasmo feminino.
No inicio houve repúdio moral do adoecido, depois repulsa sexual, e finalmente desejo de saber como um verme penetra a carne fraca do(a) visitante que havia ali deslocado algo que até então Kazhimir aonde não havia sentido, ou se havia sentido reprimia com asco e efeito em miligramas menores ao de sua ácida saliva.
O que faz aqui se está frio lá fora? - Kazhimir relutou a pergunta de luto por sua breve ferida úmida.
Lá fora sem sol o vento, nevóa e cinzas penteavam as cortinas de outros prédios reclamando de seu ódio contra todas elas, e as amantes das amantes sentiam calafrios discerníveis entre sangue e o gosto dele.
Faria sentido se dissesse que não tem nada haver com você?
Você sempre responde uma pergunta com uma... - Kazhimir.
O baque seco penetrou a sala, calando sua tentativa sã de sabedoria estranha...
As flores plásticas adormeceram o solo, e então houve cinco segundos de silêncio após o baque letal.
Até que...
Não passou de um sonho...
A flor alimentou o solo, com seu liquido úmido, o baque fez com que o vidro não ferisse e sim o som ferisse o habitual, o quarto foi tomado pela visão amanhecida do dia lá fora...E...
Aqueles sonhos infantis que se mantém eretamente ereto o importuno, desde de cedo, ele aprendeu a nadar e a se conformar em ver o nada aparentemente quebrado e sem pilhas.
Se fez de sua a melanina e pele ausente, não viu nada ao abrir e semicerrar os olhos já inundados pelo efeito morfina das artérias e veias, semivasos e semicírculos ainda áridos.
Não faça de mim o quer que eu faça e fale... - pensou ele...Mais ainda estava vivo o cheiro do(a) outro(a) ocupante do quarto da enfermaria, era quem ele nunca haveria pensado que era?Quem era?Organizou seus pensamentos entre espasmos de dor e elucides sem luz, aonde pensaria que estava seu(sua) ocupante sagaz de leito e lençol puramente hospitalar? Estaria abaixo da cama, entre seus dedos, lá fora numa rua paralela qualquer, vendendo o mundo?
Quem diabos era? Era diabolicamente belo em saber que não era o diabo, desejava ter e ocupar sua epiderme angelical...Assim saberia de seu segredo e de todos os outros segredos humanos que nunca havia experimentado a cor da água e do pecado avelã virgem...
O que penso de mim, nunca se refere a mim mesmo?
O cheiro ocupava o quarto como os segundos do relógio branco e brando que guardava seu segredo como o diabo guarda os piores segredos seus...
E ele pensou o que faria se tudo tivesse acontecido?
Continua(...)
* Conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras, capazes de perturbar-lhe a homeostase; estricção.